O governo federal, estados e municípios devem bilhões a servidores públicos que conseguiram na Justiça o reconhecimento de diferenças salariais, reajustes ou verbas não pagas. Quando a ação é definitiva e o valor ultrapassa o limite da Requisição de Pequeno Valor (RPV), o pagamento segue a fila dos precatórios. Em 2024, o volume de precatórios a pagar para servidores públicos superou R$ 40 bilhões em todo o país, mas o tempo de espera varia de 2 a 5 anos, dependendo do ente federativo e da fila de pagamento vigente.
Muitos servidores não sabem que têm um crédito registrado a seu nome. Isso ocorre frequentemente em casos de revisão de cargo, equiparação salarial, pagamento de horas extras não remuneradas ou correção de descontos indevidos. O processo não é automático: é preciso que a sentença transitou em julgado (não cabe mais recurso) e que o valor tenha sido calculado pelo tribunal.
Quem entra na fila dos precatórios?
Entram nessa fila todos os servidores públicos, ativos, inativos ou pensionistas, que tenham ações judiciais contra a União, estados, Distrito Federal ou municípios onde o valor da condenação seja superior a 60 salários mínimos. Valores menores seguem o rito da Requisição de Pequeno Valor, a RPV, que é pago em até 60 dias após a expedição da ordem, se houver verba orçamentária.
Para servidores que ganham ações sobre diferenças de vencimentos de anos anteriores, o cálculo pode ser alto, ultrapassando facilmente o teto da RPV. Nesses casos, o processo é remetido ao tribunal de justiça competente e inserido na lista de precatórios para pagamento no exercício seguinte ao da inclusão.
Como o governo organiza o pagamento?
O pagamento não ocorre na ordem cronológica exata da entrada do processo. A Constituição permite que os entes públicos priorizem certas categorias, como idosos acima de 60 anos, pessoas com doença grave e credores de alimentação. O servidor comum fica na fila geral, aguardando sua vez de acordo com o ano de inclusão e o valor devida.
Cada governo (União, estado ou município) tem seu próprio cronograma de pagamentos. A União costuma pagar cerca de 15% a 20% do total de precatórios anualmente, enquanto estados e municípios variam muito: alguns pagam apenas o que entra no orçamento, outros ficam anos sem pagar nada.
O que o servidor deve acompanhar?
A primeira coisa é saber se o processo já transitou em julgado. Muitas vezes, o servidor acha que ganhou a causa, mas ainda há recursos pendentes. A segunda etapa é verificar se o cálculo do valor foi homologado pelo tribunal e se o precatório já foi expedido.
O acompanhamento pode ser feito online, através dos sites dos tribunais de justiça ou dos portais de transparência dos entes públicos. É essencial ficar atento aos editais de pagamento, que listam os números dos precatórios que serão quitados no mês ou ano seguinte.
Posso vender o meu precatório?
Sim, é possível antecipar o recebendo vendendo o crédito a terceiros. A transação é feita por meio de cessão de crédito, onde uma empresa compra o direito de receber o valor do governo e paga ao servidor um valor à vista, descontando uma taxa de antecipação.
Se você não precisa do dinheiro agora, pode esperar a fila. Se a necessidade é imediata, a venda do precatório é uma opção legítima, desde que feita com transparência e sem cobranças prévias.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora para receber um precatório?
Não há um prazo fixo. A fila depende do orçamento do ente público e do tamanho da dívida. Enquanto a RPV costuma ser paga em até 2 anos, os precatórios podem levar de 2 a 10 anos, dependendo da situação financeira do estado ou município.
O valor do precatório é atualizado?
Sim. Desde a expedição da ordem até o pagamento, o valor é corrigido pela Selic e por índices oficiais, garantindo que o poder de compra não se perca durante a espera.
E se o estado não tiver dinheiro?
Se não houver verba, o precatório permanece na fila e é pago no ano seguinte, quando houver previsão orçamentária. O servidor não perde o direito, apenas o tempo de recebimento.
Como sei se meu processo virou precatório?
O tribunal envia uma notificação ou o processo é anexado à lista de precatórios. Você pode consultar pelo número do processo nos sites do tribunal de justiça ou através de seu advogado.
Posso receber o valor antes da fila?
A única forma de receber antes da fila é vendendo o crédito a uma empresa de antecipação de precatórios. Não existe outra via legal para antecipação sem a venda do direito.
Se você tem uma ação contra o INSS ou outro órgão público e não sabe se já virou precatório ou RPV, ou se já está na fila de pagamento, envie o número do seu processo ou CPF para uma avaliação gratuita. Nossa equipe analisa a situação do seu caso e explica, por escrito no WhatsApp, quais são as suas opções de recebimento, sem qualquer cobrança adiantada.